Do encontro

o encontro oferece à alma

a possibilidade da imensidão

que o corpo só não experimenta

Perpetuar

Tornar perpétuo, eternizar, imortalizar.

Perpetuar um gesto: imortalizar o pensamento? O sentimento?

E quem dirá se sabemos como o fazemos?

Esculpido, grafado, gravado, reproduzido o que  não mais é e o que jamais voltará a ser.

Na obra, na fala que mancha a folha de papel, na desventura delatada ou na missão assumida, sofrida.

Perpetuar o humano e o mais humano: o belo e o feio, o poder e a queda, a alma e o corpo que perece.

Perpetuar o tempo que dura a canção popular ou o cargo político.

Congelar na fotografia o tempo da bola vestida com o véu do gol para eternizar a vitória, e a derrota.

Eternizar-se na lenda, na crença do povo, num sonho de poder (mais), na negociação impensada, na concessão indesejada e na dissimulação obrigatória.

Para se tornar concreto, asfalto e alimento. Depois, desmantelamento.

Para estarmos atentos ao que nos aproxima em irmandade, perpetuemos fragilidades.

A fortaleza, um dia, rui.

Platão e nós.

“O corpo humano é a carruagem.
Eu, o homem que a conduz.
O pensamento, as rédeas.
Os sentimentos, os cavalos.”

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