Tornar perpétuo, eternizar, imortalizar.
Perpetuar um gesto: imortalizar o pensamento? O sentimento?
E quem dirá se sabemos como o fazemos?
Esculpido, grafado, gravado, reproduzido o que não mais é e o que jamais voltará a ser.
Na obra, na fala que mancha a folha de papel, na desventura delatada ou na missão assumida, sofrida.
Perpetuar o humano e o mais humano: o belo e o feio, o poder e a queda, a alma e o corpo que perece.
Perpetuar o tempo que dura a canção popular ou o cargo político.
Congelar na fotografia o tempo da bola vestida com o véu do gol para eternizar a vitória, e a derrota.
Eternizar-se na lenda, na crença do povo, num sonho de poder (mais), na negociação impensada, na concessão indesejada e na dissimulação obrigatória.
Para se tornar concreto, asfalto e alimento. Depois, desmantelamento.
Para estarmos atentos ao que nos aproxima em irmandade, perpetuemos fragilidades.
A fortaleza, um dia, rui.
