Qualquer coisa sincera que haja entre nós
muito além do vale-refeição
do arroz-feijão, do vestido branco e do cravo na lapela.
Ou bem menos se o valermos.
Será palavra livre e sem definição… louca, sóbria ou não.
Bela, poética ou não.
Perto ou longe, sonora, sentida
dita da boca que repousa na flor da pele.
O ato é a proclamação do que se sente.
Deixemos nosso sentimento ou este “sabe-se-lá o que” no para-peito da janela…
Para que tenha sol e chuva e todo o tempo da paisagem.
Para que veja o mundo de fora e o de dentro.
Para que não seja apenas pensamento, mas também momento.
Em havendo primavera mais bela em outro hemisfério: é dele errar…
Que vá!
Sentir também é migrar… Refugiar-se para salvar o ser de si
dos outros e de nós.
Para que nos livremos dos nossos nós…
Porque o sentir é jardim.
Não cativeiro.
