Proclamemos o ato!

Qualquer coisa sincera que haja entre nós

muito além do vale-refeição

do arroz-feijão, do vestido branco e do cravo na lapela.

Ou bem menos se o valermos.

Será palavra livre e sem definição… louca, sóbria ou não.

Bela, poética ou não.

Perto ou longe, sonora, sentida

dita da boca que repousa na flor da pele.

O ato é a proclamação do que se sente.

Deixemos nosso sentimento ou este “sabe-se-lá o que” no para-peito da janela…

Para que tenha sol e chuva e todo o tempo da paisagem.

Para que veja o mundo de fora e o de dentro.

Para que não seja apenas pensamento, mas também momento.

Em havendo primavera mais bela em outro hemisfério: é dele errar…

Que vá!

Sentir também é migrar… Refugiar-se para salvar o ser de si

dos outros e de nós.

Para que nos livremos dos nossos nós…

Porque o sentir é jardim.

Não cativeiro.

Revoada

A manhã parecia um dia de férias

aqueles de tardes intermináveis dos meus 8 anos…

Brisa fraca

Céu limpo

Sol morno

Um passarinho rodopiando na poça d’água da sarjeta

E eu pensando que queria ser ele

o admirava com uma inveja risonha.

Deu vontade de tirar férias de mim…

Ir bater asa dentro daquele ser plumado

Saber o que só ele sabe

Ver o que só ele vê

Sentir o que só ele sente

Querer como só ele quer

Sofrer apenas a dor dele.

Bater revoada e ser o outro por um tempo…

Seria bom ter férias da gente!

Tirar férias do sonho da gente, do peito da gente, do pensamento da gente…

Ficar fora até dar saudade

E depois voltar…

Pousar de novo do lado de dentro

de um jeito diferente.

e voltar a ser gente…

Pequenos delitos

Pequenos achados e roubados tem mais charme do que um comprado.

Um ato quase ilícito, quase pecaminoso, quase contra-lei, justifica-se pela inexistência da razão castrada.

O bombom roubado do mercadinho que vira presente que acompanha o beijo do menino mais lindo do colégio aos olhos da menina mais apaixonada do colégio.

Aquela flor de um jardim qualquer jogada de madrugada no jardim da casa da menina que virará mulher numa outra noite qualquer…

Para o menino da flor roubada, a flor mais aguardada.

Paixões declaradas e atos inconfessáveis…

Pequenos delitos, grandes amores que o tempo nos rouba.

« Entradas mais antigas

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 32 other followers